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História - Ana Sofia

A Ana Sofia é uma jovem de 21 anos, grávida de 10 semanas a viver em casa dos pais, num bairro camarário da zona oriental de Lisboa.
Os pais não aceitaram a gravidez e o Hugo, seu namorado há 2 anos, também não quis assumir as responsabilidades. Dizia gostar muito dela, mas a relação foi piorando desde que soube que ia ser pai.
Desempregado e sem grandes hipóteses de encontrar um trabalho, não se sentia capaz de ajudar. Afinal também estava assustado, tal como ela, e achava que não seria a melhor altura para terem um filho.
Ana Sofia passava os dias a chorar porque não sabia o que fazer e não sentia apoio de ninguém. Estava deprimida e para além disso, também se encontrava desempregada e, grávida, ninguém lhe iria dar emprego.
Tinha dúvidas em relação a este bebé e a pressão para abortar estava a ser cada vez mais difícil de suportar. A qualquer momento poderia decidir ter ou não o seu bebé.
Ouviu falar do PAV e que talvez aí pudesse encontrar ajuda.

Estava desesperada, confusa e muito assustada quando a recebemos pela primeira vez. Nos contactos seguintes e à medida que a relação se foi estreitando, sentiu-se um pouco mais aliviada e ao mesmo tempo confortada.
Foi ganhando confiança e começou a acreditar que a mudança dependeria apenas e só, dela própria. Bastava querer e empenhar-se nas propostas que lhe iam sendo apresentadas para começar a ver os resultados.
A Vida que trazia dentro de si foi ganhando cada vez mais sentido. Com o apoio psicológico que foi tendo ao longo da gravidez conseguiu ultrapassar a fase inicial mais difícil, acabando por alcançar o equilíbrio emocional necessário.

Sentia-se mais entusiasmada em cada semana que passava.
Frequentava as consultas no centro de saúde e às 16 semanas, através da ecografia, ficou a conhecer o sexo do bebé. Seria um rapaz, o Hugo Miguel.
A alegria foi tanta ao receber esta notícia que a partilhou connosco, primeiro no momento em que telefonou e mais tarde, no dia em que veio ao PAV para levar o enxoval do seu bebé.
A Ana Sofia estava diferente, exibia agora com orgulho a sua barriga, cada vez maior e pesada e ao mesmo tempo no seu discurso sentia-se uma calma e serenidade que se misturava com a ansiedade do nascimento do bebé. O desespero que trazia no início dava agora lugar a uma tranquilidade.

Frequentou as formações de cuidados maternos que decorriam semanalmente e, em paralelo, a ginástica de preparação para o parto. Conheceu outras grávidas, partilhou a sua história e percebeu que não estava sozinha. Seria certamente menos doloroso, percorrer o seu caminho se o pudesse partilhar com alguém.

O bebé acabaria por nascer pouco tempo antes do previsto. “Perfeito, lindo e parecido com o pai!”, assim o descreveu a Ana Sofia.

Repentinamente, os seus pais acabaram por se render a esta nova Vida, que veio preencher os seus dias. Com o apoio do PAV os laços familiares foram-se estreitando e a pouco e pouco a alegria e a esperança voltaram a fazer parte desta família.

O Hugo demorou algum tempo a aceitar este bebé. Continuava desempregado e nada tinha feito para alterar a situação. Ele próprio teve de crescer e esforçar-se para que na sua vida ocorressem mudanças. Aceitou a ajuda do PAV e após várias entrevistas de emprego sem sucesso, surgiu uma possibilidade. A oportunidade que não podia desperdiçar. Este emprego ainda não está garantido, mas o Hugo tem vindo a esforçar-se e a ganhar a confiança do dono do restaurante em que trabalha.
A Ana Sofia conseguiu definir prioridades nesta nova etapa da sua vida. Quer o melhor para o seu bebé e sabe que isso dependerá dela. Frequenta um curso profissional que lhe dará as noções básicas para vir a trabalhar numa creche e a equivalência ao 9º ano. O bebé cresce a cada dia que passa e é o orgulho da família. Tem ficado com os avós enquanto não surge uma vaga para entrar numa creche.

Com o nosso apoio, mas sobretudo com a sua vontade e determinação, a Ana Sofia descobriu outro sentido para a sua vida. A gravidez implicou muitas mudanças, esforços e sacrifícios, mas foi este bebé que a fez pensar de outra forma e acreditar que uma Vida Nova traz esperança no futuro.

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