História - TeresaQuando a Teresa percebeu que estava grávida de novo, nem queria acreditar! A primeira filha tinha feito um ano há tão pouco tempo! Quando os pais souberam que ela estava grávida da Isabelinha, tinham reagido bem, mas agora tinham acolhido muito mal a notícia. Queriam que a Teresa fizesse um aborto. Agora até já era legal! Bastava ir a um hospital... Achavam que ela não tinha competências maternas, emocionais, ou financeiras para ter mais um filho. A Teresa, pressionada pelos pais, sentia-se muito só. Embora percebesse que toda a situação lhe era desfavorável, queria ter este filho. Também o pai das crianças a deixou sozinha com o problema, também ele lhe dizia que agora já não havia problema nenhum em abortar porque já era legal. Mas se não o fizesse, que se arranjasse, o problema era dela. E, então, viu-se assim, a braços com esta situação tão difícil, sem ninguém. Tentou convencer os pais a aceitarem esta gravidez, mas eles estavam irredutíveis. Diziam-lhe que ela negligenciava a filha, que precisava de ser tratada por um psiquiatra e que levava uma vida completamente desregrada. Tudo isto, a Teresa sabia ser verdade, mas ainda assim queria ter este filho. Os pais viviam sem dificuldades numa zona nobre de Cascais, pensava a Teresa, podiam muito bem ajudá-la a ter este bebé. No entanto, fizeram-lhe um ultimato: ou ela abortava ou ia para a rua. Sentiu isto como uma grande injustiça, habituada a viver sem regras e sem limites, pesava-lhe enormemente esta chantagem emocional. Queria ter este filho e ia tê-lo, custasse o que custasse. Através de uma amiga soube que podia ser ajudada. Esta amiga falou-lhe em ser acolhida numa casa que apoiava grávidas em dificuldade e foi assim que encontrou a Casa de Santa Isabel. Explicaram-lhe como era a vida nesta casa e pareceu-lhe que, embora com regras e limites que nunca tinham feito parte da sua vida, ia conseguir viver. Para poder ter este bebé era capaz de tudo. Foi-se integrando com grande facilidade. Era tudo novo e a rotina não lhe pesava tanto como à primeira vista tinha pensado. Sentia-se mais segura. Esperava ansiosamente que o tempo passasse. Começou a trabalhar, o que dificultou bastante a conciliação da filha, das tarefas da casa, os horários de trabalho, a falta de hábito em fazer alguma coisa que lhe custasse. Até que chegou um dia que para ela era muito importante! E ao cruzar-se com uma das pessoas que trabalhava para a instituição e com quem de vez em quando tinha algumas conversas, disse:”Tia! Eu hoje completo as 10 semanas!” Os seus olhos brilhavam, a sua cara resplandecia a alegria que lhe ia no coração. Já ninguém lhe podia dizer para fazer um aborto, já não havia aquela absurda legalidade que tanto a tinha feito sentir-se presa e encurralada! A Casa de Santa Isabel ajudou a Teresa a retomar a ligação à sua família e esta foi-se habituando também ao facto de que vinha aí mais um bebé e que seria muito melhor para todos se a Teresa pudesse contar totalmente com o apoio dos Pais. À medida que o tempo foi passando foram-se então criando as condições todas para a Teresa voltar para casa dos Pais e assim, o final da gravidez da Teresa foi vivido em família, nascendo uns meses depois um rapaz, o Francisco. Outras histórias: |